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Minos, rei de Creta, era casado com Pasífae que por castigo de Poseidon se apaixonou por um touro.

Tendo se apaixonado pelo touro, Pasífae recorreu a Dédalo, sábio conhecido pela sua engenhosidade, e construiu uma vaca de madeira, onde a rainha se introduziu para receber seu amante.

Dessa união nasceu o Minotauro: ser meio homem e meio touro, aprisionado em um labirinto subterrâneo e alimentado pela carne humana do sacrifício anual de quatorze jovens atenienses.

Ao se tornar rei de Atenas, Teseu decide livrar seu reino do sacrifício ao minotauro e com o objetivo de derrotá-lo, viaja para Creta oferecendo-se ele mesmo ao sacrifício.

Este trecho do mito revela os conflitos entre as cidades de Atenas e Creta, bem como a tirania do Rei Minos, mas também nos faz perguntar sobre nossas próprias forças tirânicas interiores, que muitas vezes nos tomam.

Quantas vezes não impomos nossas vontades sem considerar o bem comum, atitude esperada de um rei? Ou ainda, quantas vezes somos tirânicos diante de nossos próprios sonhos e desejos?

Será que somos capazes de reconhecer estes aspectos em nós ou os prendemos também no labirinto subterrâneo?

“Poder-se-ia dizer, e até com certa razão, que a dominação perversa se nutre de carne humana. Em outros termos: Posídon, sob forma de touro, e portanto a perversão, sob forma de dominação tirânica, inspira a Pasífae os conselhos perversos que fazem nascer o Minotauro, a injustiça despótica de Minos. Este, no entanto, envergonha-se do Monstro gerado por sua mulher e o esconde aos olhos dos homens. Minos e Pasífae repelem a verdade monstruosa, a dominação perversa do rei que é habitualmente sábio. Escondem a vontade monstruosa no inconsciente: aprisionam o Minotauro no Labirinto”

Trecho do livro Mitologia Grega vol. III, Junito  de Souza Brandão, editora Vozes.