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E quem nunca estremeceu com um chamado da vida? Quem nunca recusou uma convocação pra sair da posição confortável do mundo comum?

Recusamos os chamados na tentativa de adiar os problemas, as dores, a aceitação, recusamos por medo do desconhecido, ou qualquer outro motivo, seja ele consciente ou não.

Relutamos e hesitamos também por não nos sentirmos prontos, mas é fácil perceber que os chamados continuam a surgir e muitas vezes se intensificam quando recusados. Somos responsáveis por nossas escolhas diante deles, há consequências.

Mas tá tudo bem quando a gente decide aguardar um momento melhor para nós mesmos. Só é aconselhável manter em mente que ele virá, o chamado sempre volta, até que seja vivido de alguma maneira. Mesmo que na repetição de sua recusa por um longo período.

“Com freqüência, na vida real, e com não menos freqüência, nos mitos e contos populares, encontramos o triste caso do chamado que não obtém resposta; pois sempre é possível desviar a atenção para outros interesses. A recusa à convocação converte a aventura em sua contraparte negativa. Aprisionado pelo tédio, pelo trabalho duro ou pela “cultura”, o sujeito perde o poder da ação afirmativa dotada de significado e se transforma numa vítima a ser salva. Seu mundo florescente torna-se um deserto cheio de pedras e sua vida dá uma impressão de falta de sentido — mesmo que, tal como o rei Minos, ele possa, através de um esforço tirânico, construir um renomado império. Qualquer que seja, a casa por ele construída será uma casa da morte; um labirinto de paredes ciclópicas construído para esconder dele o seu Minotauro. Tudo o que ele pode fazer é criar novos problemas para si próprio e aguardar a gradual aproximação de sua desintegração.”